quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A busca pela felicidade

     O princípio do prazer

Em O mal estar na civilização(1930), Freud revela que o objetivo do homem na vida é alcançar a felicidade. Segundo ele, o homem “quer a ausência de dor e desprazer e, por outro lado, a vivência de fortes prazeres.”[p.19]. A essas duas metas corresponde o chamado princípio do prazer. Freud afirma que "é simplesmente o programa do princípio do prazer que estabelece a finalidade da vida." [p.20] contudo, ele é absolutamente irrealizável, visto que todas as disposições do universo contrariam: "Seria possível dizer que o propósito de que o homem seja feliz não faz parte do plano da criação" [p.20]. Freud assinala ainda que o homem não pode ser feliz o tempo todo, que felicidade é momento, não estado: "aquilo que chamamos 'felicidade', no sentido mais estrito, vem da satisfação repentina de necessidades altamente represadas, e por sua natureza é possível apenas como fenômeno episódico" [p.20]. Freud identifica 3 fontes de sofrimento para o homem que o impede de alcançar a tão almejada felicidade. São elas:
  • a prepotência da natureza;
  • a fragilidade de nosso corpo;
  • a insuficiência das normas que regulam os vínculos humanos na família, no estado e na sociedade.                                                                                                                
O psicanalista aponta a civilização como a maior responsável pelo sofrimento do homem:  "Boa tarde da culpa por nossa miséria vem do que é chamado de nossa civilização" [p.31]. Entramos, portanto, numa contradição - reconhecida pelo próprio Freud ao afirmas que "tudo aquilo com que nos protegemos da ameaça das fontes do sofrer  é parte da civilização" [p.31]. Através da repressão dos instintos naturais do homem, a civilização produz homens neuróticos: "Descobriu-se que o homem se torna neurótico porque não pode suportar a medida de privação que a sociedade lhe impõe, em prol de seus ideais culturais." [p.32]

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